O doutor padre João Carlos de Almeida, diretor geral da Faculdade Dehoniana no Brasil, é doutor em teologia pela Universidade Gregoriana em Roma e doutor em educação pela USP de São Paulo, e, desde 1999, esteve à frente de todo esse processo pelo qual passou a Faculdade Dehoniana junto ao Ministério da Educação (MEC).
- Há quanto tempo a Faculdade Dehoniana atua no Brasil?
Pe. João - A Faculdade Dehoniana é uma iniciativa da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus fundada por Pe. Léon Dehon em 1878 na França. Daí vem o nome de Dehonianos. Da preocupação educacional de Pe. Dehon nasceu a Faculdade Dehoniana, que está celebrando 10 anos de credenciamento junto ao MEC. Mas já existimos em Taubaté como obra educacional desde 1924.
- E como é a história destas origens?
Pe. João - Aconteceu no início do século 20. O primeiro bispo de Taubaté, Dom Epaminondas, buscava padres para ajudar na formação do seu clero. Na ocasião ele conseguiu fazer um contato com o padre Dehon na França e solicitou sua ajuda. Padre Dehon pediu para alguns padres dehonianos que estavam no sul do Brasil subirem até Taubaté. E estes começaram a se dedicar à formação dos seminaristas locais. Aos poucos começou um pequeno núcleo vocacional da Congregação.
- E eles já tinham aula de teologia?
Pe. João - Esse núcleo vocacional Dehoniano teve a sua primeira aula de teologia no dia 15 de fevereiro de 1924. Portanto, em 2014 vamos completar 90 anos de educação teológica em Taubaté.
- Mas, só atendia o clero local?
Pe. João - Na década de 1970 configurou-se como Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus e praticamente formava os padres de todo o Vale do Paraíba, da Província Eclesiástica de Aparecida e do Sul de Minas Gerais.
- E quando o governo reconheceu oficialmente os estudos teológicos?
Pe. João - Em 1999 o Conselho Nacional de Educação emitiu o Parecer 241 que dava a possibilidade dos cursos de teologia serem autorizados e reconhecidos pelo MEC.
- E quando foi que o curso de teologia dos Dehonianos recebeu a autorização do MEC?
Pe. João - Nesse ano de 1999 fui nomeado o diretor do Instituto Teológico e passei a estudar a possibilidade de credenciar nossa instituição de ensino junto ao MEC. Em 2001 o governo credenciou oficialmente a Faculdade Dehoniana. Nosso primeiro curso autorizado foi justamente o Bacharelado em Teologia.
- E o reconhecimento?
Pe. João - Você sabe que o curso de teologia dura em média 4 anos. A primeira turma começou no ano 2002. No ano 2004 entramos com o processo de reconhecimento. E no ano 2005 o curso foi reconhecido, podendo expedir diplomas, que são registrados pela UNICAMP.
- Os seminaristas, padres, leigos que tinham estudado teologia em anos anteriores podem convalidar os certificados de conclusão de seus cursos?
Pe. João - No ano 2004 foi homologado pelo então ministro da educação Tarso Genro, o Parecer do Conselho Nacional de Educação063. Apartir de então, dava-se a possibilidade de que alguém que tivesse estudado teologia num seminário pudesse convalidar o “curso livre” numa faculdade credenciada pelo MEC que tivesse um curso de Teologia reconhecido; ou seja, não era suficiente que a faculdade tivesse só a autorização, mas devia ter também o reconhecimento do MEC.
- A Faculdade Dehoniana, então, foi pioneira?
Pe. João - No Brasil, a Faculdade Dehoniana foi a primeira da Igreja Católica que recebeu a autorização do MEC para um curso de Teologia, Bacharelado. A partir do reconhecimento começamos a oferecer também o Programa de Convalidação. É um programa totalmente legalizado.
- O que se exige para entrar no programa de validação?
Pe. João - Exige-se praticamente que o curso que a pessoa tenha feito no seminário, ou na instituição X ou Y, tenha 1600 horas no mínimo. A partir disso, a pessoa tem que completar a carga horária na faculdade que está oferecendo a convalidação. No nosso caso, a carga horária é de 3.000 horas. O MEC exige que, no mínimo, 20% da carga horária do curso seja feita na faculdade que está oferecendo a convalidação. Isso significa que a convalidação não é aproveitamento de disciplinas, mas de conhecimentos teológicos.
- Pode ser por sistema semi-presencial esses 20%?
Pe. João - Pode ser com o uso de tecnologia semi-presencial, por exemplo, por meio da Internet. A Faculdade Dehoniana utiliza este recurso para oferecer 20% de sua carga-horária, que correspondem a 600 horas, conforme permite a lei. Mas antes de tudo é necessário prestar um vestibular. Depois o aluno terá de cursar 300 horas em disciplinas no primeiro semestre e 300 horas num segundo semestre. As provas devem necessariamente ser presenciais. No final o aluno deve defender seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que pode ser o mesmo que apresentou no Curso Livre. A partir daí está apto para colar grau.
- Como é o vestibular?
Pe. João - Para fazer o vestibular é preciso ir à faculdade. A prova acontece na forma de redação e depois a pessoa tem que apresentar toda a documentação para matrícula: histórico, certificado de conclusão de um curso livre... e tudo o que se encontra no site da Faculdade Dehoniana.
- O termo “curso livre” é utilizado também para definir alguém que tenha um diploma de uma faculdade estrangeira?
Pe. João - Aquí nos deparamos com algo novo. A legislação educacional brasileira permite revalidação de diplomas de graduação obtidos no exterior em países com os quais o Brasil tem acordos educacionais, porém esse proceso só pode ser feito por universidades públicas (Federais e estaduais). No Brasil, no momento, não existe nenhuma universidade pública que tenha curso de teologia. Nesse caso, a única forma de receber reconhecimento civil de um curso de teología realizado no exterior é por meio da convalidação.
- Quando é o vestibular?
Pe. João - O vestibular acontece agora durante todo o mês de julho. A pessoa agenda o dia e o horário que lhe for mais conveniente. No final do ano teremos outro vestibular, este, porém, com uma data fixa.
- Como são as instalações da Faculdade?
Pe. João - É um prédio bem aparelhado. Temos recebido conceitos muito bons nas avaliações do Ministério da Educação. Toda sala de aula real tem uma extensão virtual, computador, datashow e outros recursos. No ano de 2005 foi construída uma nova ala. Nossa biblioteca tem mais de 60.000 volumes.
- E quais são as outras carreiras?
Pe. João - Temos filosofia e teologia, que é a nossa tradição. Mas, estamos preparando a abertura do curso de Administração de Empresas.
- O que vocês oferecem de pós-graduação?
Pe. João - Temos pós-graduação em Gestão Religiosa, em Teologia e também em Doutrina Social da Igreja, gerenciada pelo nosso Centro de Estudos Léon Dehon (CELDE) que faz parte de uma rede internacional ligada ao Pontifício Conselho de Justiça e Paz, para cultivar e divulgar a Doutrina Social da Igreja, que era um dos grandes objetivos do nosso fundador, Léon Dehon. Ele foi contemporâneo da Encíclica Social Rerum Novarum. Temos também uma pós-graduação muito interessante que está abrindo uma quarta turma agora em janeiro de 2013: Pós-graduação para Formadores de Seminários e Casas de Formação. É uma iniciativa da Faculdade em parceria com a CNBB por meio da OSIB Sul 1.
- Como está formado o Corpo docente?
Pe. João - 97% do nosso corpo docente é formado por mestres e doutores. Metade mestres e metade doutores. Alguns com doutorado em Roma, outros na Bélgica e em outras partes do mundo.
- Quem quiser convalidar o seu diploma de teologia precisaria correr para fazê-lo?
Pe. João - Olha, o meu conselho é que corra. Nunca sabemos até quando irá vigorar o Parecer 063. Para outros cursos como filosofia, marketing e fisioterapia esta possibilidade ficou aberta um tempo e depois a porta se fechou. Quem deixou para amanhã ficou sem a possibilidade. No Brasil temos até doutores em teologia que, em nível civil, só têm o Ensino Médio.
Para maiores contatos: (12) 3625-8080,
Site: www.dehoniana.org.br,
E-mail:
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Fonte: Zenit.org (por Por Thácio Siqueira)
