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Dom Eugênio, o homem fiel!

A vida nos reserva experiências únicas e inesquecíveis: em outubro de 2010, a pedido de Dom Orani João Tempesta, O.Cist, eu produzi e entrevistei o Eminentíssimo Senhor Dom Eugênio Araújo, Cardeal Sales, por ocasião de seus noventa anos, para a Rede Vida de Televisão.

Este precioso documentário conta a história e a vida deste ilustre e eminente potiguar, que seguindo as sendas do Bom Pastor, ouviu o chamado de Cristo e tendo assumido o presbiterado, foi chamado pela Igreja, para missões importantes em Natal, em São Salvador da Bahia e em São Sebastião do Rio de Janeiro, Igrejas metropolitanas que regeu com sabedoria, prudência,  justiça, fortaleza e temperança.

O Cardeal Eugênio Sales foi a voz mais abalizada de nosso Episcopado. Discreto, porém, firme ele se levantava, pela sua imensa e reconhecida força moral, para manifestar a inequívoca voz de Cristo e da Igreja. Anunciou o Evangelho. Não temeu a incompreensão ou a impopularidade. Amou os pobres. Tinha um aguçado senso pastoral e social. A Campanha da Fraternidade foi criação sua ainda nos tempos de Natal. E quanto bem, nestes mais de quarenta anos, a Campanha da Fraternidade, a cada tempo quaresmal, proporciona não só aos católicos, mas a todos os brasileiros de boa vontade?

A ação caritativa de Dom Eugênio se faz sentir no Banco da Providência, feliz iniciativa sua no Rio de Janeiro, que ajuda os pobres e dá dignidade aos que menos tem.

Entretanto, creio, que dentro da esfera pastoral, da ação eclesial, Dom Eugênio deixará marcas profundas na Igreja no Brasil: ele foi o grande formador do clero do Rio de Janeiro. Coube a ele criar e colocar em funcionamento o Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico, que há mais de vinte e cinco anos, vem formando gerações e gerações de juristas para o trabalho pastoral não só em sua Arquidiocese, mas beneficiando muitas dioceses deste imenso Brasil. Mesmo não sendo canonista era nítido o apreço do Senhor Cardeal Sales pelas letras jurídicas e pela equidade canônica. O Cardeal Sales se destacou pela colegialidade episcopal, acolhendo todo início de ano, no Centro de Estudos Superiores do Sumaré, os bispos no Brasil, para o Encontro anual de atualização, espiritualidade e formação permanente, com um dia de descanso para os Senhores Bispos.

A sua marca principal, sem sombra de dúvida, foi a fidelidade irrestrita ao Santo Padre, o Papa. Quando muitas vozes quiseram se destoar da Voz de Pedro, da Voz do Santo Padre, Dom Eugênio erguia a sua força moral e a sua grave voz para conclamar a todos a unidade e a fidelidade a Deus, a Igreja e ao Santo Padre.

Ainda estão vivos na minha memória aquela entrevista. A preparação, a conversa preliminar, a sua tranquilidade, a sua serenidade, mas a sua firmeza em responder tudo de pronto, manifestando que a sua vida foi, sem sombra de dúvida, a sua fidelidade ao Evangelho e ao longo caminho de 58 anos de episcopado e quase 70 anos de ministério sacerdotal.

Em Dom Eugênio não houve nada de contraditório e confuso. Ao contrário no Cardeal Sales tudo foi muito claro e evidente, fiel. Dom Eugênio, convenhamos, não é só uma liderança no Brasil, mas Cardeal para o mundo, com postura de Bom Pastor. Homem prudente, de fé, visão de futuro, dificilmente argumentava sem ter palavras do Evangelho acompanhando o seu direcionamento justo. Homem de quem nunca se ouviu falar nada...reto no agir e profundo no falar. Por isso todos sentem a perda de nosso patriarca Sales. Era cômodo ter ele junto em tudo. Era seguro caminhar com Dom Eugênio. Por isso, agora que ele entra no céu, sigamos seu inapagável itinerário de testemunho de fé.

Pe. Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha - MG

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